Crenças sem ações não tem significado...

Não treinamos Shorinji Kempo para nos tornarmos instrutores de artes marciais. É essencial que estejamos cientes de que o nosso objetivo é tornar o mundo mais agradável e melhor para todos, através da consciência de nós próprios como seres humanos fraternos e através da ajuda mútua.
O Budismo é, na sua essência, o ensinamento da estima mútua entre os seres humanos. Para se respeitar outra pessoa, é necessários que primeiro nos respeitemos a nós próprios. Os caracteres com os quais a palavra “pessoa” pode ser escrita - na filosofia Budista - significam “espírito” e “parar”. Pondo isto em termos religiosos, significa que as pessoas são espíritos que contêm nelas próprias uma porção do Dharma — e eu acredito que só quando nos tornamos conscientes deste fato é que somos capazes de ter respeito por nós próprio. A grande mudança na forma como eu comecei a ver o mundo ocorreu porque compreendi verdadeiramente o significado disso.
Cada um de nós é uma pessoa esplêndida, carregando consigo um pedaço de Dharma. Isso significa que, se nos esforçarmos bastante, somos capazes de fazer qualquer coisa; podemos ir à Lua ou mergulhar até às profundezas do oceano. Tornar-nos felizes e fazer os outros felizes. Compreender isto é descobrir-se a si próprio. Se vocês compreendem o que lhes digo, vão e tornem essa compreensão em ações; tornem-se pessoas que trabalham para os outros, para a sociedade e para o mundo inteiro. Apesar de muitos dizerem “eu esforço-me para conquistar a mim mesmo”, o que é isso que estão  dizendo? Estarão vocês a fazer um esforço para contrariar especificamente algum dos seus desejos? O que praticamos aqui é agir de acordo com aquilo que pensamos: a unidade do corpo e da mente, a unidade das acções e ideias.
Dedicarmo-nos à tarefa de construir o melhor mundo possível não pode significar somente pensar em coisas boas, mas transformá-las em ações. Por que não tentam agir de acordo com as suas crenças e as suas opiniões? Crenças sem ação não significam nada. As boas coisas, devemos fazê-las. As coisas más, devemos parar de fazê-las. Ultimamente tenho ouvido pessoas dizer que o Shorinji Kempo tem ideais mas não faz nada; se a sua casa, a sua escola ou a empresa onde trabalha estiver com problemas, não serve de nada ficar quieto e observar como vão decorrer as coisas. Se a dedicação a uma causa pode ser chamada “revolução”, prevenir problemas também é uma dedicação a uma causa. Antes de se preocuparem se um problema qualquer  vai lhe afetar ou se a sua resolução será vantajosa para vocês, pensem em fazer alguma coisa para resolver esse problema.
A pessoa em quem os outros confiam é de certeza uma pessoa que se dedica às coisas que faz. Alguém que pensa primeiro nos custos e nos seus benefícios é um calculista, em quem poucas pessoas irão confiar. Quando se age sem pensar nos custos ou benefícios pessoais que a nossa ação poderá proporcionar, encontramos a força dos outros. Em vez de se preocuparem com o seu próprio desconforto ou a injustiça de algo que lhe aconteceu, por que não pensam antes na forma de ultrapassar esse problema?

Doshin So — Seminário de Instrutores, Outubro de 1969
Fonte: http://www.askcsm.pt/Boletim%20ASKCSM.htm

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